Não me chamem velho do Restelo, e se de facto eu o esteja mesmo a ser, então encaremos como sábias as palavras do Lulu Santos, nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia.
É que me apetece dizer que a música já não é o que era antigamente. Não me refiro apenas à qualidade, ou forma como se fazía música, mas também à forma como hoje se consome a dita.
Se é certo que hoje temos acesso quase ilimitado à música, seja porque a podemos ouvir nos mais variados suportes de leitura, seja porque a podemos sacar na net, e este sacar não tem forçosamente que ser download, mas apenas ouvi-la nem que seja no YouTube.
Mas convenhamos, e aí a maltinha da minha idade consumidora de discos, dar-me-á razão, pois nada se compara com a excitação prévia que se desenrolava pela compra de um LP. Primeiro o anúncio da sua colocação no mercado, depois a malta ía às lojas de discos, pedia para torem algumas faixas, e ficava ali a idolatrar a capa. Depois juntar a massa, e reunidos os cerca de 200 ou 300 escudos, rumar trinfalmente, à Melodia, ou à Valentim, ou à Radiolar e comprar o dito.
Depois era um passar palavra na rua, ou no liceu: já tenho o Dark Side!!!!!!
O LP era escutado integralmente no quarto de um de nós, e emprestado a quem desse provas de merecer tão alto nível de confiança. É que o disco não se podia riscar, nem a capa ser danificada.
Nada contra os actuais padrões e ofertas do mercado, mas naqueles tempos a malta tinha muito mais cultura musical, apesar dos escassos meios e oferta.
É que a quantidade nunca foi sinónimo de qualidade.




















































